O índice interanual de setembro reflete a maior queda desde fevereiro de 2017. A crise econômica desatada em abril, continua trazendo más notícias.

A combinação entre desvalorização, inflação e resseção que afeta a Argentina refletiu-se no índice da atividade da construção. Segundo o Instituto de Estadística oficial do país (INDEC), setembro teve a queda mais forte dos últimos 20 meses e, mesmo que o resultado acumulado continua sendo positivo devido ao bom desempenho de princípios de 2018, a crise parece ter chegado para ficar, ao menos por um tempo. Junto com essa cifra, está a inflação de setembro, que chegou a 6,5% e a queda de 17,3% na venda de insumos para a construção, registrada em outubro pelo Grupo Construya.

O programa de restrição monetária que o país fechou com o FMI tem o objetivo de equilibrar o déficit fiscal, mas, segundo a maioria dos analistas, está produzindo uma forte recessão. O esquema conteve a desvalorização do peso argentino, que atingiu 50% em 2018, no entanto, a taxa de juros anual estabelecida pelo Banco Central foi superior a 65%. O encarecimento do financiamento já se refletiu em faltas de pagamentos e diminuição dos investimentos.

Nesse contexto, com a queda dos fundos públicos disponíveis, os projetos de parcerias público-privadas (PPPs) são especialmente relevantes na obra pública do Governo de Mauricio Macri. O orçamento de 2019 prevê 80 projetos no valor de US$ 242 milhões. Sem facilidades financeiras à vista, o setor privado deverá dobrar esforços para que esses projetos sejam executados.