Melker Jernberg, o novo presidente da Volvo CE, fala sobre os desafios enfrentados pelo mercado. 

Com 30 anos de experiência em diversas funções executivas e diretivas nas indústrias automobilística, de aço e metalúrgica, Melker Jernberg assumiu como presidente da Volvo Construction Equipment e membro do Conselho Diretivo do Grupo Volvo em 1º de janeiro deste ano, e desde então tem viajado muito para conhecer a fundo a estrutura de fabricação e distribuição da companhia.

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Melker Jernberg assumiu a presidência da Volvo CE no começo deste ano.

Durante a parada em Rhode Island da Volvo Ocean Race, a Construção Latino-Americana teve a oportunidade de conversar com o executivo e conhecer mais sobre os planos para o desenvolvimento da marca e fomento do mercado.

Qual é o seu background na indústria?

Comecei a trabalhar na Scania em 1989 (onde ficou por 22 anos, chegando a vice-presidente sênior), depois fui para a SSAB, empresa sueca dedicada à fabricação de aço, e posteriormente trabalhei na empresa metalúrgica Höganäs AB, dedicada à fabricação de aço “em pó” para revestimento.

Além disso, a minha família teve uma companhia de construção por 50 anos e, mesmo sem nunca ter trabalhado na empresa, cresci cercado por estes equipamentos. Estive neste tipo de indústria por 30 anos.

Como foram estes primeiros meses?

Muito intensos. Há muita coisa para conhecer: a organização, as pessoas, muitas viagens para ter a perspectiva interna da empresa. Mas também tenho conhecido a essência do negócio e os canais de distribuição, que são uma parte extremamente importante da nossa atividade.

Hoje temos 212 companhias que gerenciam a nossa distribuição, sendo 200 delas privadas e 12 de propriedade da Volvo. Trabalhamos muito duro e muito unidos para desenvolver o negócio com nossos clientes. Esta associação com nossos distribuidores nos traz inputs valiosos para entender a imagem completa da companhia. Por isso, visitei dealers na Europa, Ásia, América do Norte e América Latina. Foi muito interessante e gratificante fazer isto.

Há intenção de ter mais distribuidores diretos da Volvo?

Acredito que é bom ter alguns, mas sem perder a perspectiva de negócio. A razão pela qual buscamos bons associados é porque são extremamente profissionais em realizar o seu trabalho. A minha visão é de que, se você encontra um sócio que pode fazer melhor que você, isso é um win win e, por isso, estamos constantemente buscando. Em 2017, passamos grandes distribuições para o privado, mas não é uma cifra fixa, analisamos todo o tempo caso a caso.

Como é manter três marcas: Volvo, Terex e SDLG?

O ponto de partida é a perspectiva do cliente. Nós temos uma presença global e um portfólio de produtos que podemos usar em formas distintas. Acredito que estamos indo muito bem com as três marcas e creio que aprendemos muito com cada uma delas. Pela perspectiva interna, isso nos permite também combinar diferentes culturas e aplicar isto em produtos diferentes para mercados distintos.

Como enfrentaram o problema no Brasil?

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Como parte do seu tour por diversas fábricas da Volvo CE, ele visitou a planta de Pederneiras, no Brasil.

Estive na nossa fábrica de Pederneiras há alguns meses. Tem sido difícil no Brasil, é óbvio, mas também a nível global, e a Volvo CE tomou diversas medidas para remediar isso.

Em Pederneiras, reduzimos fortemente o ponto de equilíbrio, mas de uma maneira boa e eficiente, com uma revisão concreta do que era importante manter e o que não era necessário. Além disso, por exemplo, começaram a produzir os ADTs e carregadeiras compactas na mesma linha, sendo os primeiros a fazer isso. Isso representa muito trabalho no equilíbrio da linha e a sua eficiência, mas também nos ajuda a enfrentar a flutuação da demanda. Assim, na perspectiva de eficiência e fluxo, eles foram muito inteligentes na diminuição do ponto de equilíbrio.

Qual é a sua percepção do mercado na região?

O povo latino-americano é muito positivo. Mesmo que o mercado esteja indo mal, a resposta é “logo vai melhorar”. Houve tantos altos e baixos na América Latina que esta visão positiva é parte da cultura. E isso é muito bom porque faz o mercado voltar um pouco mais forte que antes. Acredito que esta é uma atitude incrível.

Dito isso, vemos que a região está em crescimento de novo e me surpreenderia muito se, no fechamento de 2018, não víssemos uma alta substancial no mercado e nos negócios da Volvo CE, em particular em grande parte da América Latina.

Fazemos prognósticos trimestrais e, para a América Latina, projetamos um crescimento em unidades de 10% a 20% para 2018 (a projeção anterior da companhia apontava uma alta de 0% a 10%). Vale lembrar que os últimos anos foram de queda na região, e agora a retomada da economia aliada à reposição de equipamentos justifica o crescimento.

A Europa está em baixa, com crescimento de até 10%; a China deve ficar acima de 20%; o resto da Ásia e América do Norte estão entre 10% e 20%. Essa é a minha aposta.

Quais são os planos para a região?

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2 O executivo tem um vasto conhecimento das indústrias automobilística e siderúrgica.

Constantemente discutimos o desenvolvimento dos distribuidores, fomentando a rede atual, buscando novos parceiros e trabalhando em conjunto em áreas como caminhões etc. Introduzir tecnologias, como a Active Care, é uma grande contribuição, assim como o desenvolvimento de produtos. Hoje se fala muito de electromobility, mas o nosso negócio central são os novos equipamentos, motores, eixos etc. Estamos sempre com novos lançamentos e a América Latina é parte importante do negócio.

Como a Volvo aproveita suas sinergias?

Somos parte de um grupo e, se há algo que uma área pode utilizar de outra, fazemos essa conexão. O mais importante é isso: somos um grupo, talvez o único, que pode fornecer produtos de todo o setor de construção e inclusive fora dele, como caminhões, geradores, motores e até ônibus. Poder usar isso é uma grande vantagem para os nossos clientes. Muitos deles com quem conversei veem isso como o principal benefício, muito mais que as sinergias internas. Podemos ser um ótimo sócio para os grandes projetos que acontecem ao redor do mundo. Podemos fornecer o portfólio completo para grandes projetos, assim como para os clientes.

Além disso, como grupo temos uma cultura comum de modo de trabalho, compartilhamos valores, boas práticas e benchmarking.

Estão previstos novos investimentos neste ano?

Não posso revelar nada sobre lançamentos, mas sempre investimos muito em eficiência e produtos, e vamos seguir lançando novidades no mercado.