A piora na economia em muitos dos principais países da região e, certamente, o baque da crise brasileira, afetaram o ranking CLA50 deste ano.

Cla50

A crise que segue impactando o mercado brasileiro de construção e o mau desempenho econômico de alguns dos principais países da região foram os fatores decisivos para outro ano de queda no CLA50, ranking das 50 maiores empreiteiras em atividade na América Latina.

Se a era pré Lava Jato foi marcada por um crescimento acelerado do mercado da construção civil, hoje a mesma indústria é testemunha de quedas estrondosas nas receitas de empresas importantes, com companhias precisando reduzir seus orçamentos, vender ativos e até pedir recuperação judicial para sobreviver.

Empresas como Odebrecht, Camargo Corrêa, Andrade Gutiérrez e Queiroz Galvão, antes sempre entre as melhor posicionadas no CLA50, hoje enfrentam problemas de crédito e seus planos de crescimento se converteram em planos de sobrevivência. Esse espaço, que poderia ser ocupado rapidamente por outras construtoras do restante da região não foi de todo absorvido, já que o mercado em geral registrou contração.

Ao todo, 29 empresas apresentaram encolhimento no exercício passado. O resultado final? A renda total de 2016 do CLA50 alcançou US$34,45 bilhões, 22,5% a menos que os US$44,46 bilhões registrados em 2015. Este resultado aprofunda a queda do mercado, já que o CLA50 passado registrou uma diminuição de 15,5% em relação ao faturamento de 2014. De fato, a tendência de queda começou logo depois do pico alcançado em 2012, ano em que as 50 maiores construtoras da época conquistaram receita pouco abaixo de US$73 bilhões.

A queda mais violenta em termos de porcentagem foi da brasileira Rossi Residencial, que registrou em 2016 receita de US$155,8 milhões, 56,1% abaixo dos US$355,1 milhões de 2015, perdendo 17 posições e ficando no 46º lugar. Vale destacar que a companhia lançou empreendimentos no último exercício e finalizou o ano com um quadro de funcionários 66% menor comparado ao primeiro semestre de 2014.

De forma similar, os rendimentos da também brasileira Método Potencial Engenharia caíram 56%, alcançando US$163,6 milhões no ano passado. Assim como a Rossi, a empresa perdeu 17 colocações e aparece em 44º lugar.

A terceira maior queda, como era de se esperar, também é do Brasil: a Construcap perdeu 11 posições e ficou na 36ª colocação do CLA50.

Top 10

As 10 maiores empresas construtoras em atividade na região perderam força e representam 60,1% do CLA50. Se por um lado isto representa cerca de 10 pontos percentuais a menos que na edição passada, esta é uma cifra mais de acordo com o que foi analisado em edições anteriores.

Houve várias mudanças de posição no Top 10, mas lamentavelmente isto se deve mais à má atuação de algumas companhias do que ao crescimento de outras. Na realidade, as primeiras sete empresas listadas apresentam encolhimentos de 9,2% a 38,5%.

A Odebrecht segue dominando o ranking e mantém uma distância enorme ao resto das empresas.

Apesar de uma queda de 9,2% no seu faturamento, com US$2,19 bilhões, a chilena Sigdo Koppers avançou uma posição, deixando em terceiro lugar a Graña y Montero, que apresentou redução de 22,7%, com receita total de US$1,8 bilhão.

Com quedas de cerca de 10%, Mendes Júnior Engenharia e MRV Engenharia avançaram três posições até o quarto e quinto lugar, respectivamente. Isto graças ao fato que Andrade Gutierrez Engenharia e ICA apresentaram quedas ainda maiores e ficaram relegadas ao sexto e sétimo lugar, nessa ordem.

A oitava e nona posições pertencem às únicas empresas do Top 10 que tiveram um 2016 positivo. A chilena Salfacorp avançou da 12ª colocação para a 8ª graças a um incremento de 11,4% em suas vendas, enquanto a mexicana Carso Infraestructura y Construcción subiu duas posições até o 9º lugar com um crescimento de 12,2%.

A lista termina com a Construtora Queiroz Galvão que, com um faturamento de US$913 milhões, teve uma retração de 36,9% e perdeu quatro posições.

País a país

É esperado que o Brasil siga reduzindo o seu impacto no CLA50. Nesta edição, o país representou 56,1% da receita das principais empreiteiras, com um faturamento de US$19,3 bilhões, o que equivale a uma queda de 33,5% em relação à edição passada. Para ilustrar melhor a situação, vale recordar que na primeira edição do CLA50 em 2011 (baseado nas receitas de 2010), o Brasil ocupava a lista com faturamento de US$39,2 bilhões, o que representa nada mais nada menos que uma queda de 68,4% do total desse ano.

Isto não deve ser nenhuma surpresa. Das 20 empresas brasileiras listadas, 18 delas apresentaram quedas, sendo que em 14 as reduções foram superiores a 20%.

Em porcentagem, as quedas mais marcantes foram as de Rossi Residencial e Método Potencial Engenharia, companhias que também ostentam este ano a maior queda de colocação, ambas perdendo 17 posições. No ranking passado, Rossi Residencial estava em 29º lugar, enquanto este ano está localizada no final da lista, no 46º lugar, duas posições depois de Método Potencial Engenharia. Um queda igualmente dramática é a da Gafisa, que perdeu 16 posições, ficando na 30ª colocação.

Mas nem tudo é negativo. Há duas empresas médias que estão conseguindo aproveitar a situação e conquistaram importantes avanços. Uma delas é a Brookfield Incorporações (Tegra Incorporadora desde agosto passado), que obteve faturamento de US$453 milhões, 34% acima dos resultados de 2015, o que a fez avançar 10 posições, até o 21º lugar. Logo atrás está a Tecnisa, que aumentou suas vendas em 25,9%, alcançando US$451,9 milhões em 2016.

O segundo país de maior representação é o Chile, que neste ano exibe 10 empresas no CLA50, depois da ausência de Brotec e Claro Vicuña Valenzuela em 2015. O país somou receitas de US$5,67 bilhões em 2016, controlando 16,5% do total das 50 maiores empreiteiras em atividade na região.

Olhando o futuro, é de se esperar que esta presença chilena se mantenha, apesar dos resultados para o exercício de 2017 não serem os mais promissores, ao considerarmos que em julho a indústria local registrou uma contração de 4,3% comparada ao mesmo período de 2016.

O faturamento dos seis representantes mexicanos caiu quase US$1 bilhão. Mesmo assim, o país aumentou a sua presença no ranking com 9,8% da receita do CLA50. Do mesmo modo, o Peru também apresentou queda de seus resultados (devido a Graña y Montero e Cosapi), mas de todos os modos aumentou sua participação conquistando 9% das vendas do ranking.

Brasil, Chile, México e Peru correspondem a 91,4% do faturamento total.

Evolução

O faturamento do CLA50 caiu rapidamente. Independente dos ajustes na coleta de dados e da variação do valor do dólar nos diferentes mercados, a realidade é uma só: o mercado de construção vai mal.

Desde o pico de US$72,92 bilhões registrado no CLA50 de 2013 (com base nos dados de 2012), as vendas das 50 maiores empresas com atuação na região caíram 52,7%.

Metodologia

As posições do ranking CLA50 se baseiam nos faturamentos brutos com vendas, em dólares norte-americanos. Quando foi necessário, a taxa de câmbio foi convertida em dólares usando-se a média da moeda em todo o exercício 2016.

As informações foram obtidas em distintas fontes, começando com as respostas de algumas empresas a uma pesquisa preparada pela Construção Latino-Americana (CLA), complementada com dados disponíveis em bolsas de valores e superintendências, contabilidade auditada, declarações de empresas e de respeitadas organizações especialistas no tema. Em alguns casos não foi possível contar com contabilidade auditada, quando então a CLA fez uma estimativa de vendas baseada em dados de consultorias e tendências da indústria.

Embora se tenham feito todos os esforços para que a informação desta reportagem seja a mais fidedigna e exata possível, a CLA não pode ser responsabilizada por possíveis erros ou omissões.

Se algum leitor desejar fazer comentários ou correções a respeito do ranking publicado sobre as 50 construtoras com maiores volumes de venda, ou se considera que sua empresa deveria ser incluída na lista, solicitamos fazer contato com o editor da CLA, Cristián Peters, no email: cristian.peters@khl.com.

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