A tabela com as maiores empreiteiras do mundo reflete um ano positivo para a indústria, e as empresas com sede na China fortalecem sua posição na parte de cima do listado.

Nesta nova edição das 200 Maiores da revista International Construction, não há alterações na parte superior da tabela, com as seis maiores empresas nas mesmas colocações que no ano passado. As empresas chinesas novamente dominam o ranking, ocupando os quatro primeiros lugares.

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Com a construção chinesa experimentando um ano forte em 2017 – as vendas de máquinas no ano passado aumentaram impressionantes 82%, superando pela primeira vez desde 2014 as 200 mil unidades – a continuação de sua hegemonia não é uma surpresa. De fato, isto reflete os resultados da Yellow Table (lista também da International Construction com as 50 maiores fabricantes de máquinas), na qual as empresas da China tiveram o melhor desempenho. Espera-se que o crescimento da construção na China continue nos próximos anos, mesmo que a um ritmo mais lento do que em 2017.

Os atores mais relevantes aumentaram seu domínio na lista, com a China State Construction and Engineering aumentando suas receitas de US$ 141,5 bilhões para US$ 164 bilhões. Na segunda posição, está a China Railway Group, que gerou vendas por US$ 101,4 bilhões em 2017, saindo de US$ 95,6 bilhões em 2016. No terceiro e quarto lugares encontram-se a China Railway Construction Corporation e a China Communications Construction, que obtiveram faturamentos de US$ 99,5 bilhões e US$ 70,8 bilhões respectivamente.

O faturamento combinado das nove empresas chinesas presentes no ranking deste ano supera US$ 500 bilhões, o que representa pouco menos de um terço da receita total da tabela. Além disso, outro dado interessante é que as empresas chinesas conseguiram um lucro operacional líquido médio de US$ 3,6 bilhões, o que é equivalente a pouco mais de 5%.

A Vinci manteve seu quinto lugar com um crescimento de quase 17% em seu faturamento, que passou de US$ 42,6 bilhões em 2016 para US4 49,8 bilhões no ano passado. À francesa, se seguem outras duas empresas europeias: a ACS da Espanha, e a também francesa Bouygues (que passou do nono ao sétimo lugar), ambas com faturamentos acima dos US$ 40 bilhões. Fecham o Top 10 a Metallurgical Corporation of China, a norte-americana Bechtel e a alemã Hochtief.

Grandes movimentos

Tal como na edição passada do ranking, este ano se incorporaram sete novas empresas à lista. Algumas destas novas entradas eram esperadas, fosse por fusões ou por falências, como é o caso da britânica Carillion, que em janeiro de 2018 entrou em liquidação judicial após fracassar na sua tentativa de persuadir os acionistas a aumentar capital. Na tabela do ano passado, a Carillion aparecia no número 58, com vendas acima dos US$ 5,9 bilhões, e empregava cerca de 43 mil pessoas.

Enquanto isso, a fusão que se produziu entre as empresas finlandesas YIT Corporation e Lemminkäinen Corporation trouxe o conjunto para cima. Se antes elas ocupavam as posições 156 e 157, com a fusão a YIT atual se coloca no posto 131. Outra fusão que aconteceu foi entre a Cal Atlantic e a Lenar Corporation, o que ajuda a explicar o saldo da Cal Atlantic da posição 48 para a 32.

Outros movimentos importantes foram a da indiana Larsen & Toburo, companhia que passou da 38ª posição na lista de 2017 para a 18ª este ano. Por sua vez, a austríaca Porr escalou 25 degraus; a italiana Maire Tecnimont subiu 46 lugares; a espanhola Isolux Corsán avançou 44 postos e a israelense Shikun Biniu se movimentou 27 posições.

Mas assim como algumas empresas sobem, outras descem. Uma das quedas mais agudas na lista é a da China Railway Erju, que no ano passado estava no posto 41 e este ano está no 128. A surpreendente queda de 87 lugares na tabela é explicada por uma forte redução no faturamento da empresa, que em 2016 havia ganho US$ 7,6 bilhões e no ano passado registrou algo cerca de US$ 2,5 bilhões. Filial da China Railway Group (número dois da lista), ela se separou da sua matriz na bolsa de valores da China, e mudou seu modelo comercial. Este conjunto de fatores aponta a razão de uma queda tão estrepitosa de 75% nos seus negócios de um ano a outro.

Outras grandes quedas estão representadas pela Consolidated Contractors Company, com sede na Grécia, que retrocedeu 40 lugares; pela Toyo Engineering, do Japão, que caiu 27 posições; pelas norte-americanas Clark Construction e M.A.Mortenson, que perderam 30 e 56 lugares respectivamente; e pela turca Enka, que caiu 43 posições.

Rumo ao futuro

O ano passado foi um exercício muito forte para a indústria da construção, com quase todos os mercados se aproveitando de um aumento nas vendas, particularmente na China, país que vem se recuperando de alguns anos desafiadores. O consenso entre os especialistas é de que este crescimento continuará, mas em um nível menor, o que poderia favorecer um argumento de que assim será mais saudável, por criar perspectivas melhores a longo prazo.

Espera-se que os faturamentos gerados em 2018, e que veremos na lista do ano que vem, superem o US$ 1,6 trilhão registrado nesta edição, mas não deverá ser um aumento muito impressionante.

E também é de se esperar que o domínio chinês se mantenha, dada a grande diferença de US$ 20 bilhões que existe entre o quarto lugar, China Communications Construction, e o restante da lista. Não obstante, pode haver uma alteração entre a segunda e a terceira, que se separam por “apenas” US$ 1,8 bilhão.

País por país

Embora a China seja representada no Top 200 por somente nove empresas, é o país que mais contribui na geração de receitas da lista, registrando receitas de US$ 517,9 bilhões, pouco menos de um terço do total. Este número é mais que o dobro do gerado pelos Estados Unidos, que chega a US$ 217,8 bilhões, equivalentes a 13,5% do total. A diferença é ainda mais gritante quando se toma em consideração que os Estados Unidos têm 34 empresas no ranking mundial.

Os números são similares aos da lista do ano passado. Em 2016, os faturamentos combinados da China foram de US$ 475,2 bilhões, o que significa que as empresas chinesas somaram novos US$ 42,7 bilhões ao longo do ano passado. Mas as firmas dos Estados Unidos, no mesmo período, agregaram US$ 8,6 bilhões, mostrando que a diferença se ampliou consideravelmente.

O terceiro maior faturamento por país vem do Japão, que tem 33 empresas na lista, uma a menos do que no ano passado. A menor representatividade em número de empresas também impactou na participação nipônica no ranking, que diminuiu de 12,1% do total para 11,3%. A firma japonesa mais bem classificada na lista é a Sekisui House, que se encontra na posição 14 com faturamento de US$ 19,8 bilhões.

Os três países seguintes são europeus, com a França com 8% do faturamento total, a Espanha com 5,8% e o Reino Unido com 5,3%. O faturamento total gerado pelas empresas francesas aumentou 9,7%, passando de US$ 117,2 bilhões para US$ 128,6 bilhões em 2017. Enquanto isso, no Reino Unido a participação no ranking se viu diminuída em relação ao ano passado em 5,7%, o que não surpreende dada a saída da Carillion na lista deste ano. Apesar disto, o faturamento combinado registrou aumento de US$ 84,8 bilhões para US$ 85,9 bilhões.

A Coreia do Sul percebeu um leve aumento na sua participação, de 4,8% no ano passado a 4,9% este ano. Quatro de suas empresas subiram na lista, quatro também caíram e duas permaneceram em suas posições, marcando seu status quo.

Um país que vale a discussão, como seria de se esperar, é o Brasil, que ficou de fora da tabela do ano passado (em parte devido à derrocada do conglomerado Odebrecht e suas consequências) após ter participado com cinco empresas na edição anterior. Neste novo Top 200 há duas firmas brasileiras: a Andrade Gutierrez, com faturamento de US$ 1,4 bilhão, na posição 184, e a MRV Engenharia, que estreia na tabela na posição 199 com receita de US$ 1,1 bilhão. Com um país que necessita desesperadamente de investimentos em infraestrutura em grande escala, os resultados das eleições gerais que até o fechamento desta edição ainda tinham alguns dias para acontecer, determinarão quantas empresas haverá na lista do ano que vem.

Tendências globais

(Resumo de faturamento para o Top 100)

A tabela de classificação da construção global se baseia nos faturamentos obtidos em 2017 pelas 200 maiores empreiteiras do mundo, mas este gráfico se refere às vendas e à rentabilidade da metade superior da lista: as 100 principais empresas.

As vendas totais dos 100 maiores players da construção no mundo estão pouco abaixo do US$ 1,37 trilhão, um aumento importante com relação à edição passada, quando foi de US$ 1,28 trilhão. O número atual é mais do que o dobro do ponto mais baixo registrado em 2005, quando as 100 maiores empresas tiveram receitas de cerca de US$ 600 bilhões. Porém, ainda abaixo do recorde histórico de 2014, quando as 100 maiores registraram faturamento combinado de US$ 1,39 trilhão.

Para garantir que os números tenham a máxima precisão possível, foi calculada uma média de todas as moedas utilizadas antes de convertê-las ao dólar, mas o fato de que a moeda dos Estados Unidos, à parte algumas flutuações, tenha ficado relativamente forte em 2017 terá, obviamente, uma influência nos números gerais finais ao convertê-los a euros, yuanes chineses e outras moedas.

Metodologia

O Top 200 é um ranking das maiores empresas construtoras do mundo, com base nos faturamentos registrados por serviços realizados em 2017, sejam em ano calendário ou financeiro, dependendo das práticas contábeis em cada caso.

A informação foi obtida de diversas fontes, incluindo a contabilidade auditada, declarações de empresas e organizações de boa reputação. Em alguns casos, a International Construction realizou uma estimativa sobre os faturamentos.

A classificação se realiza sobre uma base de dólares americanos, e as taxas de câmbio usadas são médias de entre janeiro e 1º de junho deste ano.

Embora se tenha feito o maior esforço para que a informação desta reportagem seja a mais exata possível, a International Construction não se responsabiliza por erros e omissões.

Se algum leitor considerar que sua empresa ou outra de seu conhecimento deveria ser incluída na lista, faça contato com o editor da International Construction, Andy Brown, no email: andy.brown@khl.com.