O ranking das maiores empreiteiras do mundo deste ano confirma, entre outros aspectos: i) a dominância das empresas chinesas, apesar das dificuldades econômicas do país; ii) o começo da recuperação japonesa; iii) o momento positivo para os construtores de casas nos Estados Unidos e iv) a ausência de gigantes brasileiros da construção. 

Top200

Status Quo. As dez primeiras posições do ranking que mostra as 200 principais empresas construtoras do mundo não apresentam mudanças; e as quatro primeiras - todas chinesas - não mostram sinais de que vão abrir mão do seu império. De fato, as receitas geradas por estas quatro empresas representam mais de um quarto do faturamento das 200 maiores do mundo.

Esse panorama resiste até mesmo ao fato de que a taxa de crescimento do mercado da construção chinesa esteja desacelerando. Devido à sua luta por mitigar os riscos do setor financeiro, o acesso aos empréstimos diminuiu muito. Isto não deveria surpreender, já que a dívida do país representa agora 257% do PIB.

Essa “bomba” econômica não impede que cada setor da indústria da construção da China continue crescendo atualmente em um ritmo que poucas nações podem aspirar. No entanto, o fato de que o setor esteja crescendo mais lentamente implica em consequências nos rendimentos das companhias chinesas.

Apesar desta advertência sobre a vacilante economia da China, parece pouco provável que outra empresa consiga ocupar um dos quatro primeiros lugares. O quarto lugar na tabela é da China Communications Construction (CCC), que obteve US$64,3 bilhões em receitas em 2016, estando muito à frente dos US$42,6 bilhões obtidos pelo quinto lugar, a francesa Vinci. Mesmo assim, as vendas da CCC parecem relativamente pequenas se comparadas com os US$141,5 bilhões gerados pela China State Construction & Engineering (CSCE), que, com um crescimento de 3,8% em relação ao ano anterior, continua se fortalecendo na primeira posição e se afastando, em quase US$46 bilhões, do segundo lugar, ocupado orgulhosamente pela China Railway Group (com US$95,6 bilhões).

Atualmente, existem oito empresas chinesas na lista das 200 maiores, com receitas que somam US$460,1 bilhões. Os Estados Unidos contam com 34 empresas na lista, mas seus faturamentos totais somam US$180,7 bilhões, equivalentes a pouco menos de 40 % dos faturamentos dessas oito empresas asiáticas. Isto é uma clara demonstração do tamanho das quatro grandes firmas chinesas no mercado.

Com cinco empresas chinesas dentro do Top 10 e com a menor delas, Metallurgical Corporation of China, com receitas que ultrapassam US$32 bilhões, é difícil compreender a fama negativa que persegue a economia chinesa. Na verdade, os economistas do governo chinês esperam que a construção pesada ajude a equilibrar os resultados econômicos nos próximos anos.

Assim como na China, o mercado da construção dos Estados Unidos cresce de forma desacelerada. Observa-se que, em 2015, o mercado cresceu 8,7%, enquanto o crescimento de 2016 foi de só 4,2%.

É claro que o país do norte está preocupado com a economia global, os preços das commodities, o futuro político do país e a escassez de mão de obra. Isto freou toda a possibilidade de crescimento significativo em 2016.

Quanto aos rendimentos das principais empresas norte-americanas do Top 200, a Bechtel se manteve firme, com receita de US$32 bilhões em 2016 (igual à de 2015), e a Fluor avançou um pouco, de US$18,1 bilhões em 2015 para US$19 bilhões em 2016.

Algumas empresas de construção pesada se abateram um pouco, incluindo a Jacobs (cuja receita caiu US$1,2 bilhão) e a Chicago Bridge & Iron (que obteve US$2,2 bilhões a menos do que no ano anterior).

Ao contrário delas, a construtora de casas CalAtlantic Group deu um salto significativo para o 51º lugar no ranking. Seus rendimentos passaram de US$3,5 bilhões em 2015 para US$6,4 bilhões em 2016. A CalAtlantic Group foi o resultado de uma fusão entre a Pacifc Corp e The Ryland Group.

Em geral, as primeiras 50 posições mostram movimentos positivos das construtoras de casas norte-americanas. A DR Horton aumentou suas receitas em US$1,3 bilhão, a Lennar, em US$1,4 bilhão e a Pulte Group incrementou seus negócios em US$1,6 bilhão. Estes aumentos, todos acima de 10% sobre suas receitas do ano anterior, estão alinhados ao forte mercado da construção de casas nos EUA, que finalmente retornou aos níveis anteriores à recessão.

Talvez surpreendam mais os resultados das empresas japonesas. Apesar de que nos últimos anos o governo japonês enfrentou dificuldades na economia, o forte mercado da construção de casas ajudou as empreiteiras a manter rendimentos saudáveis.

De fato, das 30 companhias japonesas que aparecem entre as 200 melhores construtoras, 25 aumentaram o faturamento, destacando-se a Sekisui House (no 15º lugar), que apresentou receitas de US$18,64 bilhões em 2016, 21,2% a mais que os US$15,37 bilhões do ano anterior.

E mais: as seis principais firmas japonesas registraram faturamentos acima de US$10 bilhões; e três delas registraram crescimentos superiores a 10% em suas vendas em comparação a 2015.

As firmas japonesas estão muito bem posicionadas, com relação às norte-americanas. Seus faturamentos somam US$166,31 bilhões, só US$14,4 bilhões a menos que as norte-americanas.

Uma empresa a se destacar dentro das construtoras nipônicas é a Toyo Engineering (TEC), que avançou 36 posições e entrou para o Top 100, ocupando agora a 96º posição. A companhia gerou rendimentos de US$3,97 bilhões em 2016, 60% a mais que os US$2,48 bilhões obtidos em 2015.

Por sua vez, a Europa mantém sua forte presença no Top 10, com a Vinci ocupando a quinta posição, a espanhola ACS mantendo seu sexto lugar na lista - apesar da queda de US$3,4 bilhões em seus rendimentos de 2016 -, a também francesa Bouygues de pé na nona posição, com receitas de US$27,6 bilhões em 2016, e a firma alemã Hochtief fechando este grupo seleto, com receita de um pouco mais que US$22 bilhões (quase US$1,4 bilhão a menos que em 2015).

De fato, todas as empresas europeias que aparecem entre as dez primeiras posições mostram queda em suas cifras de receita.

METODOLOGIA

O Top 200 é um ranking das maiores empresas construtoras do mundo, baseando-se nas receitas de 2015, sejam elas por ano calendário ou financeiro, dependendo da prática contábil individual.

A informação foi obtida em distintas fontes, incluindo contabilidades auditadas, declarações de empresas e de organizações respeitáveis de consultoria. Em alguns casos, a International Construction fez uma estimativa dos faturamentos.

A classificação é feita com base em dólares americanos e as taxas de câmbio usadas são números médios para o exercício 2016.

Embora se tenha feito o melhor esforço para que a informação desta reportagem seja a mais exata possível, a International Construction não se responsabiliza por erros ou omissões.

Se algum leitor considera que sua empresa ou outra de seu conhecimento deveria estar incluída, faça contato com o editor da International Construction, Mike Hayes, no email: mike.hayes@khl.com.

PAÍS POR PAÍS

Com apenas nove companhias entre as 200 melhores, a China está à frente de qualquer outra nação em termos de faturamento total, com US$475,2 bilhões (ou cerca de um terço da cifra total de rendimentos da lista).

O peso da nação asiática é tal que não só duplica o faturamento do país seguinte na lista, os Estados Unidos, como também supera muito a soma dos rendimentos do país norte-americano com os do Japão.

Para dar ainda mais perspectiva sobre o tamanho dessas nove companhias chinesas, vale a pena acrescentar que os Estados Unidos possuem 35 companhias na lista, e o Japão 34.

Isto não deveria surpreender, já que a tabela deste ano é um bom reflexo do ranking do ano passado. Mesmo a economia chinesa não estando em seu melhor momento, suas principais empreiteiras somaram aproximadamente US$6,5 bilhões (um crescimento médio de 1,4%) a seus rendimentos combinados, enquanto as empresas norte-americanas acrescentaram um pouco menos que US$9 bilhões (uma média de 4%).

Por sua vez, o terceiro país com maiores faturamentos, o Japão, apesar de ter mais três companhias no Top 200, obteve um rendimento combinado praticamente idêntico ao da lista de 2015.

Os três países seguintes no ranking são: a França, com receitas de US$117,3 bilhões, o Reino Unido, com US$84,8 bilhões, e a Espanha, com US$76,4 bilhões.

O Reino Unido, de fato, conseguiu ultrapassar a Coréia do Sul e a Espanha e obter a quinta posição na lista, com um aumento de receita combinada de US$4,98 bilhões (6,3%) com relação ao ano anterior.

Os rendimentos combinados totais dos dez Estados membros da UE na lista são de US$417 trilhões, com um total de 70 empresas. Mas nem assim a poderosa Europa conseguiu se igualar aos rendimentos da China.

Um país que deixou saudades no Top 200 é o Brasil. No ano passado, cinco empresas brasileiras estavam na lista. Infelizmente, a tão falada queda do império Odebrecht provocou um efeito dominó que afetou as maiores empresas de construção do país.

Junto às notícias generalizadas de corrupção e escândalo entre altos executivos da construção e políticos de alto escalão, o Brasil também está sofrendo a queda nos preços do petróleo e uma série de grandes projetos de infraestrutura tiveram que ser arquivados, devido ao déficit de financiamento.

 

TENDÊNCIAS GLOBAIS

O ranking da construção 2017 se baseia nas receitas obtidas em 2016 pelas 200 principais empresas do ramo. No entanto, o gráfico abaixo mostra a tendência dos faturamentos e a rentabilidade das 100 maiores empresas.

Em 2015, o gráfico mostrou pela primeira vez uma queda nos rendimentos globais, desde o começo do estudo, em 2002. Agora, caiu de novo, principalmente devido à força do dólar.

O dólar, em geral, já é extremamente forte. Mas, neste momento, se mostra significativamente forte em relação ao euro, à libra esterlina do Reino Unido e ao yuan chinês. Dado que muitas das empresas listadas nas 100 primeiras posições informam seus faturamentos nestas três moedas, é possível que o total do dólar apareça de maneira mais positiva.