As tecnologias híbridas chegaram para ficar. 

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Alto rendimento e baixas emissões são a promessa da lança articulada Genie Z-60/37 FE.

O rápido aumento na oferta de equipamentos de acesso híbridos e elétricos nos últimos anos é um reflexo das melhoras na tecnologia e das novas legislações para áreas urbanas que, particularmente em economias desenvolvidas como a europeia, estão proibindo as emissões de diesel. Há uma visão de que a máquina híbrida é simplesmente um trampolim para as plataformas exclusivamente elétricas. À medida em que as tecnologias de íon lítio e outras formas de geração de energia por baterias baixem de custo, elas seriam as escolhidas.

“A Europa demonstrou estar mais à vanguarda com relação à demanda pelo uso de máquinas híbridas. Especialmente nos centros das cidades, onde há maiores restrições de ruído e emissões, as máquinas híbridas foram adotadas mais rapidamente. Qualquer país ou região que tenha como objetivo reduzir o ruído ou as emissões do escapamento é candidato a receber as plataformas híbridas”, afirma Bill Dovey, gerente de produto senior da JLG Industries.

Mas enquanto a Europa avança a passos largos nestas alternativas mais modernas, a América Latina ainda não planeja ações do tipo. Porém, Paulo Jensen, da Haulotte, diz que “mesmo sem haver uma política de governo, acreditamos que as máquinas elétricas vão gerar atenção nestes mercados, porque vemos companhias latino-americanas que têm projetos e indústrias com consciência ambiental, onde os equipamentos elétricos têm clara vantagem”.

“Na América Latina, vemos uma crescente demanda por equipamentos elétricos e híbridos. As empreiteiras apreciam os benefícios como a confiabilidade, os menores custos e o aumento da eficiência. À medida em que a disponibilidade destes produtos seja maior, as demandas dos consumidores continuarão aumentando”, diz Brody McFarland, vice-presidente de vendas para a América Latina da Xtreme Manufacturing & Snorkel.

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A H800AJ da JLG tem um rendimento similar ao diesel.

Gustavo Faria, presidente da Terex Latin America, afirma que se observa uma forte demanda por este tipo de máquina na América Latina. “De fato, estamos de vender o primeiro equipamento deste tipo no Brasil e o apresentaremos ao mercado na M&T Expo em novembro. Acreditamos que esta máquina será bem aceita na região, devido a suas verdadeiras especificações híbridas, além de ser capaz de trabalhar em áreas internas e externas”.

A Palazzini também vendeu recentemente um equipamento híbrido na região, no México, segundo Serena Mingardi, encarregada de vendas, marketing e imprensa da empresa. O equipamento em questão foi um Ragno TSJ 23.1/C.

Vantagens

“Com uma máquina híbrida tem-se a vantagem de um trabalho estendido, através de baterias e de um carregador incorporado impulsionado a diesel. Isto é especialmente útil em lugares de trabalho onde ainda não se instalou o serviço de energia elétrica. Além disso, as máquinas híbridas podem funcionar em áreas internas, usando unicamente as baterias, sem emissões e com o mínimo de ruído. Neste caso, o carregador da máquina pode ser conectado à parede para recarga na corrente convencional”, diz Dovey.

“O maior benefício para os usuários é um dia de trabalho inteiro de funcionamento limpo e silencioso, com o mesmo rendimento de uma máquina de combustão interna. Isto permite aos usuários trabalhar pela noite e logo cedo pela manhã em lugares como hospitais e escolas, onde geralmente não se permite o uso de maquinário grande e barulhento. O conforto pessoal do operador também aumenta. Ao se eliminar o barulho e a vibração do motor, os operadores experimentam menos fadiga e podem trabalhar de maneira mais efetiva”, complementa Jensen.

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A Haulotte está apostando em equipamentos apenas elétricos no futuro.

Neste aspecto, Mingardi destaca a versatilidade do equipamento. “Esta opção de potência é uma solução para cada caso: para ambientes externos com o uso de diesel, para internas com a máquina conectada à eletricidade (quando há uma fonte disponível), ou com baterias DC (quando a fonte de alimentação não estiver disponível).

McFarland, por sua vez, assinala que “o principal benefício para os usuários é que todas as máquinas elétricas são extremamente confiáveis. Os motores elétricos não requerem tanto serviço como os motores a combustão, como trocas de óleo, trocas de filtro ou necessidade de fluidos de temperatura fria e quente”.

No caso da Terex, Faria afirma que o sistema FE, graças ao seu impulsionamento direto de corrente alterna, é 50% mais eficiente que as unidades elétricas sobre hidráulicas de corrente contínua, o que maximiza a vida útil da bateria. “O simples sistema de CA reduz a quantidade de válvulas hidráulicas, mangueiras e acessórios, e não há escovas para substituir ou comutadores para reparar, o que reduz o tempo de oficina e reduz os custos de operação”, comenta.

Novidades

A JLG vem se comprometendo com o desenvolvimento de soluções híbridas por mais de 20 anos, e a empresa tem planos de lançar novos produtos em breve.

Dovey destaca a plataforma de lança articulada JLG H800AJ. “À exceção de seu sistema propulsor, a máquina é praticamente igual ao popular modelo 800AJ da JLG, e usa as mesmas peças para facilitar a operação e sua manutenção. A H800AJ pode ser usada em interiores e exteriores; tem um rendimento similar ao diesel, sem emissões ou com muito poucas, excelente consumo de combustível e menos ruído”, afirma.

No caso da Haulotte, a última novidade veio com os modelos HA20 LE e HA20 LEPRO, lançados em abril passado na feira Intermat, ocasião em que a fabricante mostrou seu novo plano de converter toda sua gama de máquinas a eletricidade e eliminar por completo o motor de combustão interna. “Esta nova estratégia ‘Blue’ guiará todas as futuras soluções de equipamentos que oferecemos aos nossos clientes. Blue é um novo compromisso para ser uma empresa ambientalmente sustentável em todos os aspectos, não apenas em nossos produtos de maquinário”, explica Jensen.

Os motores elétricos são conhecidos por sua especial capacidade de torque. A HA20 LE tem quatro motores de acionamento elétrico de CA combinados com controladores de motor dedicados que proporcionam um par otimizado para uma excelente tração em terrenos acidentados. Combinado com o eixo oscilante para manter as rodas no solo, este trem de transmissão faz com que transitar pelos canteiros de trabalho mais difíceis seja seguro e mais facilitado.

Por sua vez, Faria, da Terex, explica que “em resposta à crescente demanda mundial por plataformas de trabalho aéreo de alto rendimento e baixas emissões, a Terex AWP lançou um novo equipamento movido a eletricidade, a lança articulada Genie Z-60/37 FE, máquina que oferece aos operadores duas máquinas em um só pacote para aplicações internas e externas, ao mesmo tempo em que tem um menor custo de operação e um rendimento mais limpo”.

O sistema híbrido FLE que alimenta o modelo representa avanços significativos na evolução do projeto híbrido para PTAs. “Começando com as lições aprendidas da bi-energia, adotamos um enfoque holístico no desenvolvimento do sistema FE, abordando o manejo da máquina, o rendimento e a eficiência”, diz o executivo.

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Há vários anos a Palazzini oferece sua gama de plataformas spider em versões bi-energéticas.

No caso da Palazzini, Mingardi comenta que “já há muitos anos oferecemos toda a gama de plataformas Spider, desde a altura de trabalho mais baixa (17 metros) até a mais alta (52 metros) em versões bi-energéticas, ou ecológicas, do tipo elétrico ou híbrido”. O último modelo lançado pela marca traz também estas duas opções, o Ragno TSL 23.1.

No que diz respeito à Snorkel, McFarland comenta o recente lançamento de uma linha de elevadores de mastro telescópico de acionamento elétrico: os modelos TM12E e TM16E. “Projetado para aqueles profissionais e empresas de manutenção de instalações, o novo autopropelido da Snorkel TM16E é o terceiro modelo na linha de elevadores de mastro telescópico autopropelidos Snorkel. O modelo original Snorkel TM12 continua sendo popular no mundo todo por sua versatilidade e durabilidade, mas agora se oferece como TM12E e TM16E, com um novo sistema de transmissão elétrica”, explica. Ao aumentar a eficiência no local de trabalho, este sistema consome 50% menos de amperes que a maioria dos elevadores de mastro hidráulico.

Além disso, a linha da Snorkel inclui duas plataformas de lança elétricas A38E e A46JE, mais os elevadores de mastro MB20J e MB26J.

Altura asiática

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A Dingli está construindo sua quarta fábrica.

As companhias chinesas demoraram mais em entrar no mercado de plataformas de trabalho aéreo, mas aquelas que o fizeram, entraram com muita força. É o caso dos dois maiores fabricantes no país: a Dingli e a Sinoboom, empresas que o editor da CLA visitou em uma recente viagem à China, para conhecer um pouco mais de perto o mercado local e o interesse destas empresas no mercado da América Latina.

Desde sua criação em 2005, a Dingli vem tendo crescimento sustentado. Segundo afirma a diretora de vendas da marca, Susan, atualmente já estão construindo sua quarta fábrica, todas localizadas na província de Zhejiang.

A empresa hoje exporta entre 65% e 70% de sua produção (que chega a ser de 35 mil unidades por ano), e vem conquistando participação em importantes mercados, posicionando-se aos poucos na Europa e nos Estados Unidos. A empresa vem expandindo suas redes graças a aquisições como os 20% da italiana Magni e os 25% da norte-americana MEC.

Dingli está presente também na região, com distribuidores na Argentina, Bolívia e Chile, e está ativamente buscando abrir mercado no Brasil, segundo afirma Susan.

O segundo maior ator em plataformas de acesso na China, a Sinoboom, também está realizando importantes investimentos em ampliação de sua capacidade de produção, que hoje está em cerca de 7 mil unidades de plataformas tesoura e 2 mil lanças, por ano.

Fundada em 2008, a empresa investiu fortemente, seja para tornar suas linhas de produção semiautônomas, seja para continuar melhorando sua gama de produtos, ao mesmo tempo em que vem programando uma atualização ambiental para o lançamento de novos produtos alimentados a bateria de lítio.

A Sinoboom está olhando com muito interesse o mercado latino-americano e continua ampliando sua rede de distribuidores, com especial interesse no Brasil. Segundo comenta Jason Zhou, diretor de vendas internacionais, a empresa tem esperanças de que a economia brasileira retorne ao crescimento depois das eleições, e conforme isso aconteça, cogita abrir uma filial no país.

sinoboom

A CLA visitou a fábrica da Sinoboom em Changsha, China.

“O Brasil é o futuro”, afirma o executivo. “Queremos ter um centro de atendimento no país, oferecer serviços técnicos e peças de reposição, dando uma resposta rápida ao mercado”, afirma.

A indústria do acesso deve estar atenta, pois em setembro deste ano um novo ator se somará a este concorrido mercado.