Como uma cimenteira se tornou uma das maiores do mundo sem perder de vista sua origem. 

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Em seus 112 anos, a CEMEX se tornou uma corporação global que fatura US$ 13,4 bilhões anualmente (número de 2016). 

Quando esta edição de Concreto Latino-Americano estiver em circulação pela América Latina, a CEMEX estará prestes a fazer 112 anos de atividade. A empresa, que começou modestamente, hoje é uma multinacional com presença em mais de 50 países (se considerarmos relações comerciais em geral, sua presença sobe para mais de 100 países), e assim ocupa o posto de segunda maior cimenteira do mundo.

O início de tudo foi em 1906, quando é fundada a Cementos Hidalgo na cidade mexicana de Monterrey. Em 1920, funda-se outra empresa, a Cementos Portland Monterrey, que inaugura a primeira planta de via seca no México, assumindo a vanguarda daquele momento. Dez anos mais tarde, esta companhia investe num segundo forno e dobra sua capacidade de produção, alcançando fazer então 40 mil toneladas anuais.

Em 1931, estas duas empresas de Monterrey decidem se fundir e adotar o nome de Cementos Mexicanos S. A.

A nova empresa iniciou operações e menos de 20 anos depois havia atingido capacidade de produção de 124 mil toneladas anuais de cimento. Era significativo: o número era quase quatro vezes mais do que produzia a Cementos Hidalgo em 1906.

Muita história mexicana passou por esta empresa, tal como também muitas aquisições corporativas em seu país (por exemplo Cementos Maya, Cementos Portland del Bajío e Cementos Guadalajara). Hoje, a CEMEX é um ator corporativo da mais alta categoria, aquela em que além de números invejáveis, dispõe de uma marca das mais potentes no mundo da construção e infraestrutura, e de onde exerce influência considerável sobre o setor em nível mundial. Sua contribuição para o desenvolvimento do mundo, afinal, é decisiva.

Ao prover cimento, concreto e agregados, ajudou a construir o mundo moderno. Mas sempre carregando consigo um espírito de responsabilidade social que lhe fez compartilhar os benefícios de seu crescimento. Um caso emblemático de multinacional consolidada que, ao ter sua origem em uma região que continua em busca do desenvolvimento, mantém consciência das necessidades dos mais pobres.

Em números

Os números da CEMEX dizem tudo. São US$ 13,4 bilhões anuais em vendas, que geram um EBITDA operacional de US$ 2,75 bilhões. As vendas deste ano devem manter-se em um patamar parecido a este. Entre janeiro e setembro, as receitas líquidas alcançaram US$ 10,2 bilhões, levemente acima dos US$ 10,1 bilhões obtidos no mesmo período do ano passado.

Seus quase 41 mil empregados são responsáveis por uma capacidade anual de produção de cimento de 93 milhões de toneladas, por 151 milhões de toneladas de agregados e 52 milhões de metros cúbicos de concreto. De fato, segundo a empresa, ela é a líder mundial em volume de concreto produzido.

Do total de suas vendas globais, 39% correspondem a concreto dosado em central, enquanto o cimento Portland responde por 45%, e os agregados são os 16% restantes.

Contrariamente ao que se poderia supor, a América Latina não é seu principal mercado. Suas vendas se distribuem bem ao redor do mundo, mas é nos Estados Unidos onde se concentra a maior proporção, com 28% de sua venda total global. A Europa vem atrás com 25%, então o México com 22% e só então as Américas Central, do Sul e o Caribe, que representam 13%. Finalmente, as regiões da Ásia, Oriente Médio e África geram para a CEMEX os 12% restantes de seu faturamento.

Os impactantes resultados provêm de uma estrutura produtiva que se compõe basicamente de 1.561 plantas produtoras de concreto, 56 plantas de produção de cimento, 262 pedreiras, sete moinhos de cimento, 166 terminais logísticos de distribuição, 57 terminais dedicados exclusivamente a despacho de cimento, e 30 terminais portuários próprios. Não restam dúvidas a respeito de sua capacidade de geração de riqueza.

Na América Latina, a CEMEX Latam Holdings, ou CLH, é a subsidiária responsável pela gestão dos negócios nos mercados da Colômbia, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, El Salvador e Brasil. Seus números são também importantes.

Com vendas líquidas em 2016 por US$ 1,3 bilhão, que geraram um EBITDA operacional de US$ 424 milhões, sua capacidade de produção de cimento na região é de 7,6 milhões de toneladas. Suas pedreiras de extração de agregados são 17, e as plantas de produção de concreto são 88 nestes mesmos países.

No aspecto financeiro, como companhia que tem suas ações negociadas tanto no México como em Nova York, a CEMEX vem adotando uma política de intensa redução de sua dívida corporativa. Ao reordenar sua estrutura de capital, desfazendo-se de alguns ativos em lugares específicos do mundo, a empresa se posiciona para continuar crescendo.

O resultado do terceiro trimestre de 2017, por exemplo, mostra como esta política vem surtindo efeito. O total de sua dívida corporativa era de US$ 11,5 bilhões em setembro de 2017, mas justo ao final do terceiro trimestre conseguiu-se reduzi-la em US$ 369 milhões. Os resultados da redução de sua alavancagem financeira foram obtidos de várias maneiras, mas iniciativas como a venda de sua participação no Grupo Cementos Chihuahua por US$ 168 milhões, e a vena da Cadman Materials por US$ 150 milhões, foram determinantes.

Não deveriam pairar dúvidas de que a CEMEX conseguirá reordenar sua estrutura financeira em alguns anos mais.

Infraestrutura

Na economia real, sua participação continua intensa. A CEMEX proverá um concreto de alta resistência a sulfatos para as obras do Novo Aeroporto Internacional da Cidade do México (NAICM). Este concreto de alta resistência, especialmente denso e impermeável, foi projetado especialmente para terrenos com características especialmente úmidas como o que foi escolhido para o NAICM, que é onde está o leito do Lago Texcoco.

Espera-se que a CEMEX entregue durante as obras do primeiro terminal de passageiros e da pista 2 do novo aeroporto nada menos do que 1.165.000 metros cúbicos de concreto. Esta obra é a primeira etapa do projeto, e quando entrar em operação poderá atender 68 milhões de passageiros por ano. Uma segunda etapa deverá ser construída, para então aumentar a capacidade para 120 milhões de passageiros por ano.

Também em seu México natal, a CEMEX ajudou na restauração dos pavimentos de um monumento histórico de valor cultural incalculável, a Plaza de la Constitución, o famoso Zócalo.

Para este lugar, a empresa produziu em tempo recorde em uma de suas centrais de concreto mais próximas, que foi designada especialmente para este projeto, um concreto especial que respeitasse as características arquitetônicas do sitio histórico (reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco em 1987).

Para o projeto do Zócalo, foram colocados 10 mil m3 deste concreto especial, que a cimenteira garante afirmando que terá mais de 30 anos de vida útil, sem grandes necessidades de manutenção.

No Panamá, a companhia participou numa variedade de projetos, entre os quais destaca-se a ampliação do Canal do Panamá, onde a CEMEX desenvolveu outro conceito especial para a expansão do terminal de Manzanillo, uma das entradas do Canal pelo Oceano Atlântico.

Confirmando sua consumada internacionalização, a CEMEX contribuiu também na França com um concreto especial autoadensável, que foi utilizado na construção da clínica La Croix du Sud, na cidade de Toulouse. Foram 26 mil m3 deste concreto altamente fluido, projetado assim para atender os requisitos estéticos do arquiteto, que optou por não deixar juntas aparentes em seus muros de 14 metros de altura. Similar tecnologia de traço foi utilizada pela CEMEX na construção do Túnel Cidade de Leipzig, na Alemanha.

Na Inglaterra, a empresa participou este ano num projeto ferroviário, uma junção de cruzamentos de trens na famosa estação de Waterloo, em Londres. O projeto consistia em produzir os dormentes de concreto para os 1,8 mil metros de trilhos de aço, além de apoiar a engenharia de colocação dos dormentes de acordo com um preciso posicionamento pré-definido. Isso exigiu da CEMEX UK a codificação com números e cores de cada dormente produzido.

Sociedade

Destacar o papel da CEMEX no crescimento e melhoramento das infraestruturas em todo o mundo poderia tomar páginas e mais páginas. Entretanto, um perfil da empresa não seria completo sem mencionar sua grande responsabilidade social. São inúmeros os exemplos de iniciativas de apoio a comunidades, projetos de desenvolvimento social e com temática ambiental em todos os territórios de atuação.

Os recentíssimos terremotos que devastaram vários lugares do México foram uma ocasião em que a companhia mostrou seu compromisso social. Após os danos, a CEMEX anunciou a doação do equivalente a US$ 1 milhão em recursos materiais para os esforços de reconstrução e redução dos danos.

Foram entregues insumos básicos de sobrevivência, se liberaram funcionários para atuar como voluntários nas buscas e reconstruções, se recolheram doações financeiras entre funcionários que depois foram aumentadas pela empresa, foram postos à disposição das obras de recuperação veículos e maquinário da empresa, se ampliaram as facilidades aos construtores autônomos e também se permitiram benefícios comerciais àquelas pessoas que foram afetadas pela tragédia.

“Diante desta tragédia provocada pela natureza, temos a responsabilidade de continuar e sair à frente apoiando nossos irmãos mexicanos. Todos podemos ser parte deste grande esforço para nos recolocar diante da adversidade”, disse então o diretor geral da companhia, Fernando González Olivieri.

Também foram de situações dramáticas a empresa atua com responsabilidade social. As comunidades do estado mexicano de Quintana Roo receberam no final de 2017 um total de 3 mil estufas modernas para o inverno, a fim de que se substituam os fogões que provocam fumaça e acidentes domésticos.

A história da CEMEX chegou a ser global não só porque seu desenvolvimento comercial assim a fez, mas também porque sua identidade corporativa conhece e dialoga com ambos os lados do mundo globalizado.

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